Branco total

E quando bate aquele branco, quando o teclado fica ali parado e você não sabe como tirar algum sonzinho dele, a caixa de texto fica intocada? Quando acontece aquela alegre revoada de ideias em que você se perde dentre todas as alternativas, todas as possibilidades, é muito mais simples porque está tudo ali, é só escolher alguma coisa e no fim das contas dá certo. Às vezes o que falta é só a coragem de começar mesmo, porque depois as palavras se encadeiam e é só refinar e polir o que tiver saído.

Pois hoje o branco me bateu também na cozinha. Amanhã voltamos à rotina depois de um mês praticamente, os horários tornam a seguir o planejamento principal. É bom isso, não reclamo não. Estamos todos nos ressentindo da falta do arroz-com-feijão real e do metafórico, da vida em andamento normal, da disciplina, das atividades um pouco mais regradas. Mas aí me bateu o branco total neste domingo semi-preguiçoso e chato (como todos os domingos, convenhamos) e já decretei que ele é sintoma da ansiedade pela volta à normalidade (eu bem que tento entender por que as pessoas demonizam tanto a rotina, o dia-a-dia. Eu fico perdida quando passo muito tempo em regime alternativo) e do enfado típico do dia.

Como combater esse branco, expresso inclusive na falta absoluta de vontade de comer? Do jeito mais simples e mais agradável possível. Então criei coragem, levantei e fui lavar duas bandejinhas de morango que comprei ontem (esses dias atrás me lembrei dos morangos em caixinhas de madeira, vocês são dessa época ou já são da era das bandejas de plástico envoltas em plástico-filme? A gente tende a achar que eram mais doces aqueles, não?) e separei ingredientes para uma sopinha prosaica com abóbora, mandioquinha e espinafre. Como eu disse, às vezes o problema é só o impulso para o começo.

Você já viu essa receita antes e não é à toa que ela se repete hoje: há que se ter conforto pra esperar o domingo passar, o domingo acabar. Amanhã é dia novo, é dia bom.

Boa semana!

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Sobre Deh Capella

Baby we were born to run.
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