Comer… palavras – II

Há quase um ano, quando eu ainda era assídua colaboradora deste blog delicioso, escrevi este post: Comer… Palavras.

E nesse desafio da Deh, o tema serviu direitinho para que eu voltasse ao Comer… palavras, e trouxesse para vocês a minha comida preferida, saída dos livros.

Comida bahiana. Antes mesmo de ir à Bahia, eu já amava. Antes mesmo de comer acarajé, eu já sonhava. Abará, acarajé, vatapá, dendê, moqueca, caruru, bolinho de estudante, jocosamente chamado de “punheta”, caldo de sururu, bobó de camarão… Comida de Jorge Amado.

Jorge, Amado Jorge,,,

Os nomes me fascinavam, a sonoridade, o sabor deles na minha língua, antes mesmo de saírem das páginas dos romances. Pimenta. Ardia. Assim como a minha curiosidade em descobrir aquele mundo novo, e ao mesmo tempo, antigo, passado, acabado, dos romances de Jorge Amado.

Eu chorava e me revoltava com os da primeira fase, Capitães de Areia, Mar Morto. Me emocionei com os da fase do realismo comunista, mesmo sendo considerada a mais fraca época do autor.

E me apaixonei, de vez, por Dona Flor e seus dois maridos, e pelos pratos da “Sabor E Arte”na picardia de Vadinho, “quero saborearte, Flor…”

A eterna Dona Flor, com seus dois maridos, Teodoro e Vadinho…

A primeira vez que comi acarajé, na Bahia, foi como se estivesse em Tróia, dentro do cavalo. Foi um momento “eu estive lá”, algo como um “deja vu”, mas não necessariamente, não sei descrever.

Bobó de camarão. Mandioca, leite de coco, azeite de dendê. Pimenta. Tomate, cebola. Ca-ma-rão.

(Se eu pudesse, comeria camarão todos os dias. Claro que não posso, nem devo, porque camarão é vida, é sabor, sim, mas também é morte para os manguezais, que estão sendo destruidos pela carcinicultura, alterando a forma de viver de milhares de pessoas, nos litorais brasileiros. Camarão baratinho = cultivo e não pesca, destruição de uma cultura, de uma forma de viver. Triste.)

Mas o post é sobre comida, e sobre livros e sobre férias…

As minhas foram no litoral, e comi camarões de todas as formas, tamanhos, cores.

E o melhor, imbatível, fabuloso, é o camarão grelhado da barraca da Luzia, em Atins – MA.

O nosso guia pelos Lençóis Maranheses, até a Lagoa Verde, passando por Atins e pela foz do Rio Preguiça, disse, brincando, que o segredo do camarão da Luzia é a localização.

Fica depois do povoado de Atins, a meio caminho da lagoa Verde, uma lagoa perene, cheia de peixinhos miudos, que ficam bicando a gente, os atrevidos. Para chegar até a lagoa, é preciso andar 4 km, pelas dunas. E depois, mais 4, para voltar. Então, na volta, com a fome…

Mas não é por isso não. É isso, também, mas não é só isso. É camarão fresco, recém pescado, feito na hora, com um tempero de natureza e um preço muito bom! Tudo colabora. Se for a Barreirinhas, no Maranhão, não deixe de ir até Atins.

Camarão para todos os gostos, na barraca da Luzia

E neste final de semana, farei acarajé, o bolinho de feijão, recheado com vatapá, camarão e pimenta.(Vai ser a primeira vez que vou tentar fazer em casa, depois conto o resultado.) Regado a cerveja.

É a Bahia que vive em mim.

É Jorge Amado que vive em mim.

(este ano, no dia 12 de agosto, Jorge Amado completaria 100, se estivesse vivo. Em vários lugares, está sendo homenageado. E aqui vai mais uma, das minhas singelas homenagens, ao Velho Marinheiro)

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Uma resposta para Comer… palavras – II

  1. annerodrigues disse:

    Amo camarão de qualquer jeito e a qualquer hora. Teve um inverno, que passamos férias na praia e comi camarão até no café da manhã. Affe!
    Beijinhos e fiquei feliz com sua volta.

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