Noite Feliz

Então, é Natal. Tem quem não goste. Eu gosto. Deve ser culpa de filmes como A Felicidade Não se Compra e Milagre na Rua 34. Ou, talvez, dos rituais amorosos e cheios de alegria daqui de casa. Mas, suspeito que a maior parcela da responsabilidade fica mesmo com as comidinhas-delícia desse período.

Nesse período me jogo na cozinha. Tudo que faço, cada prato, cada receita escolhida, cada item temperado, é uma espécie de abraço. Cozinhar é uma forma de fazer material o meu amor. O meu bem querer em sabores, amanhã:

 Chegando, você encontra uma mesa com:

01. Pãezinhos de leite (devidamente comprados, que eu não faço comida que descansa mais do que eu)

 02. Patê de gorgonzola (amassa o gorgonzola, mistura com creme de leite sem o soro, requeijão, azeite e tempera com pimenta-do-reino e alho. Ficou uma pasta? acrescenta salsinha – ou coentro – e cebolinha bem picadas), patê de cebola, queijo e nozes (faz aquele creme de cebola de pacotinho, mistura com queijo fundido e maionese, acrescenta nozes trituradas, cebolinha picada e uvas passas bem pinicadinhas. Deixa na geladeira até servir) patê de curry e manga (junta no liquidificador: manga, cebolinha verde picada, suco de limão, cram cheese – mas pode usar requeijão, iogurte natural, curry, sal a gosto. Processa tudo e põe na geladeira até servir)

03. Lombo com Gengibre (faz cortes profundos na carne e preencha com gengibre picado. Prepara uma marinada com suco de laranja, alho, vinho branco, azeite, pimenta do reino e sal a gosto. Deixa o lombo na marinada por um tempão, tipo oito a dez horas. Coloca no forno e cobre com papel alumínio. Deixa assar por uma hora e meia, depois tira o papel alumínio e deixa até dourar).

04. Tender Agridoce (mistura suco de laranja com açúcar até quase formar uma pasta. espalha sobre o tender e coloca no forno por cerca de 30 minutos).

05. Salgadinhos variados (também encomendados fora, passa longe da minha mão).

 Para a ceia teremos: arroz (branco, comum); chester (descongela, deixa pegar gosto em uma vinha d’alhos de cebola, alho, vinho branco seco, molho inglês, sal e pimenta e coloca no forno coberto com papel alumínio, depois deixa dourar), lagarto ao molho (feito pela mamys, não sei a receita) e a minha salada querida (alface crespo, alface roxo, manjericão, hortelã, acelga ralada, cenoura ralada, tomate cereja, cubinhos de bacon, cubinhos de queijo, farofa de castanha e pedaços de melão, tudo temperado com azeite e sal).

A sobremesa? Eu não faço doces, mas a mãe da minha cunhada tem o dom – torço pra ser queijadinha.

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Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
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