Comida bahiana, de uma mineira que é uma legítima bahiana preguiçosa

Tem um dito preconceituoso que fala que o mineiro é um bahiano preguiçoso, que saiu da Bahia para ir pra São Paulo, cansou, e ficou no meio do caminho.

Eu sei que tem um monte de preconceito aí, mas como adoro a Bahia, nesse caso, eu adoto o dito e digo: sou bahiana de alma.

Em Olivença, terra da pobre Sinhazinha Guedes Mendonça...Indo pra a praia, bebê!

Sou mulher de Amado.

Sou Flor, sou Gabriela, sou Tieta.

Sou Malvina, sou Maria Manoela, sou Lívia, sou Teresa.

Sou Rosa. Rosa Palmeirão.

Sou Manela, de Yansã.

Mas também sou de Nanã.

E de Yemajá.

Sou fogo ardendo, pimenta ardida, acarajé picante, calda de siri, fumegante.

A Bahia me tem.

E eu tenho a Bahia.

Em Jorge, e no acarajé.

Em Caymi, e no bobó de camarão.

Eu como. Devoro, me lambuzo.

Dendê, coentro, pimenta.

Eu sou dona Flor e sou a Senhora Florípedes.

Lendo Gabriela, em Ilhéus. Sim, eu sou clichê

Sou tantas e tantas, que as vezes não dou conta, e aí entra Teresa, dando voadora no peito do espancador de mulheres.

Sou forte, sou doce, sou frágil, sou amarga.

Ah, e os homens de Amado?

Guma, o pescador.

Januário Gereba, o saveeiro, o marinheiro, o capoeista.

Vadinho, o safado…

Mundinho Falcão, intrigante, destoante, o sulista desbravador, que foge de uma paixão proibida, e vai parar em Ilhéus.

Ricardo, o seminarista… ai, Ricardo… (o Ricardo do Heitor Martinez, no filme de 97, valha-me, São Jorge!)

Capoeiristas, malandros, marinheiros, pescadores.

Coronéis e playboys, poetas e músicos.

Nossa, me deu um calor…

Prá acompanhar, receita de bobó de camarão.

750 gr de camarão rosa

750 gr de mandioca em pedaços médios
1/2 pimentão vermelho
1/2 pimentão verde
3  tomates, sem sementes (pode ser com ou sem pele)
1  cebola picada
2 dentes de alho picados
1/2 xícara (chá) de azeite de dendê
50 ml de azeite de oliva
100 ml de leite de coco
1 litro de água
1 limão
Temperos à gosto – coentro, pimenta de cheiro, sal

Descasque os camarões, afervente as cabeças e as cascas em um litro de água salgada. Coe a água e reserve.
Retire o fio central da mandioca e, em seguida, cozinhe na água reservada e processe (bata em liquidificador ou processador) ainda quente. Reserve este creme.Salteie os camarões (temperados com sal e limão) no azeite de oliva e alho picado. Reserve.
Na mesma panela (com o resíduo de azeite e alho), adicione os pimentões, depois a cebola picadinha e por último o tomate.Depois refogue. Acrescente o creme da mandioca, deixe ferver por mais ou menos sete minutos. Acerte o sal e finalize com os camarões salteados, o azeite-de-dendê, o leite de coco, a pimenta e o coentro.

Bobó de camarão, em Morro de São Paulo. Saudades da Bahia, viu, moço.

 Agora, pode comer de lambuzar, com o som de Dorival Caymi ou de Daniela Mercury, ou o que vc preferir, somos ecléticos.E pra acompanhar, cerveja e batida de caju com cachaça (volte ao post de sábado passado, para lembrar dos cuidados para beber misturas com cachaça!Bom final de semana, e se você estiver na Bahia, aproveite por mim!

Beijos da preguiçosa, que ainda voltará para a terrinha!

Renata

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Uma resposta para Comida bahiana, de uma mineira que é uma legítima bahiana preguiçosa

  1. Luciana disse:

    Você atende a todos os requisitos…Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
    Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
    Deixando a moçada com água na boca
    (…) Mas a gente gosta quando uma baiana
    Samba direitinho, de cima embaixo
    Revira os olhinhos dizendo
    Eu sou filha de são salvador…

    Lindo post, linda você. E eu amo ser clichê, quando fui a Salvador, esperei o entardecer pra passear em Itapoã…

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