Sobre o que se fazer com caramelos…

Eu, sem energia. Não, não é uma metáfora. Cortaram-me a luz por ser distraída. Explico: paguei duas vezes a conta que venceu no comecinho de setembro. Que faz a empresa? devolve-me os dois dinheiros, um em outubro e outro quase ontem, começo de novembro. E que mais? cortam-me a luz, mas é claro. Porque a conta de setembro ficou “em aberto”. E quanto mais ligo para que se religue, mais distante me parece. É quase Kafka, juro. Deu-me, então, vontade de rir. E de fazer rir. Psicanalistas melhores que eu já tentaram explicar-me. Não me explico, vivo. E rio. Mesmo do que há uma pontinha de nonsense, ou talvez justamente porque haja. O certo é que admiro demais a escrita da menina Eugènia. Menina sim, como não, inspirada e livre, sem precisar estar certa. E que aprecia caramelos, você não? Eu sim, que digo: a vida é como rapadura, é dura, mas é doce. Continuemos, chega de digressões, dizia eu que Eugènia tem boas idéias e tem caramelos. Eu ri. Tomara que você também:

Inventário de doces , por Eugènia

Esta maldade é, com todo o rigor, uma doçura.

 Uma mulher é, por natureza, uma criatura feliz. Todavia, e também por natureza, a mulher é uma criatura insatisfeita. Ó. Isto é uma verdade imemorial. A própria Bíblia, que não sendo imemorial já tem uns anitos, explica logo ao início: Deus criou o céu e a terra e lailaiai por aí fora, mais as bichezas, isto e aquilo, era tudo do melhor, ai que bom que era, Deus fez uma sesta e tal, acordou, foi brincar com plasticina que toda a gente sabe que é, em protohistória, barro e Zás!, criou a mulher à sua imagem e semelhança porque era o modelo que tinha à mão. Duvida? Quem é que tem os bebés, quem é? Ah bom.. Depois, porque uma mulher precisa de ter a sua própria casa para se governar, deu-lhe o Condomínio Éden onde a temperatura era amena, a comida toda orgânica, ninguém tinha celulite, logo podia-se andar descasqué. Belo. A mulher estava contente na companhia das suas amigas, passeava no jardim, conversava um bocadinho e ia à sua vida. Adiante. O mundo conheceu então uma época de perfeição que ainda hoje é transculturalmente recordada: a idade do Ouro. E de um dia para o outro: ai que estou maçada, e porque já li os livros todos, e já fui à manicure, que tédio, nem sei bem o que é que me falta, mas não deve ser um serviço de jantar de 300 peças, acho. E vem Deus: pronto, filha, vá, não se enerve, Deus Mãe faz a vontade à bebé, e vá de lhe estrafegar uma célula como no CSI, mas tudo em vivo, de boas cores e sem meter nojo. Resultado: o marido/namorado/híbrido.Começaram as infracções, veio de lá uma ordem de despejo e é o que se vê: o sub prime, o rating, o que se conseguir lembrar. Não foi assim que lhe contaram? Corja! Está aí para chegar alguém sobre quem afirmam que não faltou nem a umazinha só aula de religião e moral e que não me deixa mentir. Espere que vou buscar o número do telemóvel dele, Bento qualquer coisa, agora assim de repente, não lembro..

Pois Bento, perdão, bem, o que nos dá o marido/namorado/híbrido? Não vale responder desgostos. O que o raio do marido/ namorado/híbrido nos dá, de facto, é volta à cabeça com a treta da história, vá, do cântico dos cânticos, canção do bandido, do amor ser mais doce que o mel. Porque diz que é verdade. Mel, sim. Diz que é. Ou achava que as mulheres ficavam todas peganhentas por culpa delas? Deles! Deles! Dos danados dos maridos/namorados/híbridos que nos fazem felizes até ficarmos tontas com as tais das voltas à cabeça. Tão tontas que não conseguimos pensar a não ser tontices enjoativas começadas por querido ou meu amor, numa tal destilação de açúcar que não se pode ver nada, seja uma borboleta ou uma camisa, que não lembre logo o monstro do marido/namorado/híbrido. Que náuseas! Que nervos!

(continua aqui, onde aprendemos o que fazer com os caramelos)

Anúncios

Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
Esse post foi publicado em Borboletas na Cozinha. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Sobre o que se fazer com caramelos…

  1. renatalima91 disse:

    “Está aí para chegar alguém sobre quem afirmam que não faltou nem a umazinha só aula de religião e moral e que não me deixa mentir. Espere que vou buscar o número do telemóvel dele, Bento qualquer coisa, agora assim de repente, não lembro..”

    Eu ri litros e quase me mijei toda com esse trecho, especificamente! Rá! Ratz! kkkk

    E o caramelo, bem o caramelo… Acho que é uma boa, porque se o marido/namorado/híbrido for bonzinho, a gente pode lamber até derreter, né? Seria uma tortura, mas…

    Me deu água na boca e vontade de chupar. Caramelos! Não me venha com maldades você com essa veia libidinosa …

    Beijos e adorei.
    Já te falei que adoro a Eugênia e o É tudo gente morta, a quem, aliás, descobri graças a você. Já te agradeci? Não? Como sou distraída. É que estava a pensar tontices enjoativas.

  2. Luciana disse:

    amo esse mundo virtual que me permite rir com a Eugènia e abraçar-te com saudade. Bjs

Os comentários estão encerrados.