Paladar e personalidade

É bastante comum associarmos as sensações do paladar ao perfil psicológico. Na língua falada, temos expressões como: “Fulana é doce como mel” ou “Ciclano é azedo como limão”. Essas metáforas relacionam a personalidade aos sabores provocados pelos alimentos.  Além disso, costumamos dizer que “você é aquilo que come”, que não deixa de estabelecer uma relação de contiguidade entre nossa essência e a essência dos alimentos.

Levando isso ao campo das ciências psicológicas, em conexão com a nutrição, o psicólogo italiano Fernando Dogana (autor do livro Psicopatología del consumo cotidiano) elaborou uma obra chamada Tipi D’oggi, profili psicologici di ordinaria bizzarria (tradução mais aceita: “Tipos de hoje, perfis psicológicos de ordinária extravagância), sem versão para o português. Nela, o escritor desenvolve a tese de que nossas preferências de paladar são capazes de dar pistas sobre nossa personalidade, uma vez que seriam capazes de revelar carências afetivas:

Em um estudo, ele observou que apreciadores de doces possuem características mais ligadas à criança. “Esse perfil psicológico pode estar preso às orientações infantis, fato que confere maior dificuldade para dar o salto evolutivo em direção à maturidade”, relata o autor.

Outra peculiaridade apontada pela pesquisa foi a maior prevalência de códigos tidos como femininos nas condutas de quem prefere chocolate a picanha: dependência, busca por ambientes acolhedores e protetores, capacidade de compartilhar, tendência à introversão e inserção em relações de conforto recíproco. Para eles, afirma Dogana, “a alimentação tem importância afetiva e o prazer consequente é reconhecido como uma sensação intensa, mas tranquila; envolvente, porém associada à transgressão e regressão infantis”.

Já os amantes do salgado, segundo os resultados, são indivíduos detentores de grande energia. A tendência é que sejam mais assertivos, dinâmicos, extrovertidos e empreendedores. Parecem ter um comportamento racional/funcional em relação à própria alimentação e o prazer à mesa depende da presença de estímulos fortes. “Nos relacionamentos interpessoais, são seguros de si, autônomos e sua franqueza beira à agressividade”, complementa. 

Continue lendo aqui. (Acesso: 15/10/2011)

Conforme vimos no trecho disposto acima, nosso paladar também poderia interferir na concepção tradicional que se faz de feminino e masculino. Não raramente, ouvimos expressões do tipo: “Isso é bebida para moças” ou “Isso é comida para macho”. Ou seja, existiria uma normatização social de nosso paladar ou, ao contrário, nosso paladar indicaria uma norma, capaz de traçar perfis psicológicos?

Sirvamos petiscos a todos, pois é chegado o momento das apostas! Você prefere doces ou salgados? Topa um uísque forte ou fica só na batida? Seu lance é carne ou salada? Cuidado, suas respostas podem ser reveladoras!

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Sobre Talita R da Silva

Linguista indigenista, amante de literaturas, feminista em eterno processo de aprendizagem. Uma machadiana sob o signo de escorpião!
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