Pão

Aqui em São Paulo come-se muito pão, principalmente pão francês. As padarias proliferaram-se e se sofisticaram em São Paulo. Mas pão de qualidade, feito com carinho e ingredientes de qualidade, esse é mais difícil de encontrar. E custa caro.

Quando assei meus primeiros pães integrais, sabia que ainda havia muito a aprender. Sábado passado dei alguns passos nesse sentido, ao fazer a oficina de pães da Masseria, uma padaria artesanal na Vila Romana, dirigida pelo chef boulanger Claudio Ramalho e pela simpática e hospitaleira Sandra.

Não dá pra falar da Masseria sem falar da casa em que ela funciona, nesse bairro paulistano de casas antigas. O salão paralelo às instalações das cozinhas tem uma longa mesa de madeira, imprescindível para partilhar o pão. Ao fundo, uma parede branca tem delicadas imagens das plantas de cereais – trigo, centeio, milho, etc. – pintadas em aquarela. Na frente do janelão de vidro, uma mesa farta com chás, café, frutas e geleias. A porta de vidro dá para uma plataforma que se abre sobre um jardim, daqueles de casa de avó.

Mais do que apenas ensinar a fazer pão, o Claudio nos explica a alquimia dos elementos que o constituem. Provamos diferentes pães, observamos, tocamos e cheiramos vários tipos de grãos,  e enfim, todos paramentados, vamos para a cozinha literalmente colocar a mão na massa. Claudio faz questão de aperfeiçoar cada movimento nosso.

E ali se estabelece uma relação absurdamente mágica com aquele alimento que estamos produzindo com as próprias mãos. O tempo anda num ritmo diferente, a respiração é compassada, toda nossa concentração está colocada naquela mistura que começa a revelar as partes vivas que a compõem, estamos gestando cuidadosamente um alimento vivo, que cresce e tem seu tempo certo, que não pode ser antes nem depois!

As etapas se sucedem: misturar, amassar, esperar crescer, modelar, cresce novamente, assa, controla a ansiedade até esfriar. É uma alegria ver a mesa se encher daqueles pães dourados e antecipar seu sabor.

Para mim é uma nova paixão, um luxo quase imprescindível me alimentar e alimentar os outros com o alimento que eu mesma preparei e que sei ser de uma qualidade superior, sem produtos químicos, comida honesta.

Eu e minhas companheiras de panificação, Babi Maues e Vevê Mambrini

Recomendo muito a oficina de pães da Masseria. Mas para quem não quiser se dar ao trabalho, eles oferecem uma assinatura de pães, coisa mais chique, entrega semanal em casa.

Masseria Boulangerie Artesanal – www.masseria.com.br

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Sobre Cecilia Santos

Tradutora e blogueira
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2 respostas para Pão

  1. Camila Téo disse:

    O texto ficou sensacional, vocês “mandaram” muito bem viu?
    Parabéns mesmo.
    Vou me organizar para ir a um evento desses também.
    Beijão

  2. Anne disse:

    Acho fazer pão uma arte. Lembro que sempre sovava o pão para minha vó, depois que ela foi diagnosticada com câncer e não tinha mais força. Tinha 13 anos. Pão lembra vó, acho que por isso nunca consegui fazer um pão decente depois que ela faleceu. Adoro um pão recém saído do forno para comer com manteiga.
    Ah, lembrei que ela fazia pão de torresmo. Nada saudável, mas maravilhoso.
    Beijinhos e obrigada por me fazer lembrar. Quero receitinhas.

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