Depurar devagarinho

Nada como tirar os curingas do baralho para fazer os jogadores dançarem. Dois meses em glútem nem lactose (dieta detox que a nutricionista passou), e tempo para cozinhar. Desafio + recursos = céu.

A verdade é que não é só o corpo que estava intoxicado. A alma também. Muita briga, muita confusão, muito trabalho, um overflow de informações da internet, muitos problemas para resolver. Aí é bom limpar: algumas horas de silêncio, sonecas quando o corpo pede, sem internet nem tevê nem rádio boa parte do dia. Comida não-industrializada, fresca, feita do zero. De todos os luxos possíveis, o que eu mais desejava no momento.

A uns 3 km de casa, tem o Parque da Água Branca, com uma feirinha de orgânicos incrível. Agora a geladeira fica lotada: chegam aqui recém-colhidos, parrudos, crocantes. Comprar ingredientes, queimar e cortar as pontas dos dedos, a concentração meditativa na cozinha, sentar só e comer em silêncio – o absoluto contrário da minha rotina, o remédio que eu estava precisando.

Saiu muita coisa boa da dieta. E hoje, de umas bananas que amassaram no meio do caminho, saiu um sorvete delícia, tão fácil de fazer que eu tinha que compartilhar com vocês. Eu usei orgânicos e locais no que tinha disponível, porque é uma outra relação com a terra e com as pessoas que vivem do que ela dá. As medidas são meio de olho porque é um sorvete praticamente impossível de dar errado.

Sorvete de banana caramelada

Com farinha de linhaça dourada por cima, nham!

Sorvete de banana caramelada

Leite de um coco pequeno *
Meia dúzia de bananas prata em rodelas
3 colheres de sopa de açúcar demerara ou cristal
Um punhado de nozes picadas

Numa panela, derreta o açúcar até ele virar caramelo. Acrescente as bananas em rodelas e um pouco de água, para ajudar o caramelo a derreter. Deixe as bananas em fogo baixo, mexendo de vez em quando, até elas começarem a desmanchar. Pode ser preciso jogar mais água, de colher em colher. Quando chegar ao ponto de doce, com textura pedaçuda e cremosa, desligue o jogo e acrescente as nozes. Incorpore o leite de coco e leve ao freezer por uma hora. Se tiver sorveteira, é só usar. Se não tiver, bata levemente com um garfo a cada meia hora, três ou quatro vezes, para não cristalizar.

* Dá para usar o de garrafinha, mas ele é cheio de conservantes e espessantes que você não vai querer comer, certo? Para fazer leite de coco em casa, compre na feira um coco descascado, bata no liquidificador com um pouco d’água e esprema numa peneira fininha ou num tecido fino, como fraldas de pano de algodão. Dura de dois a três dias na geladeira, em pote bem fechado. É mil vezes melhor do que a porcaria industrializada. Você pode substituir também por um copo de leite integral (semidesnatado ou desnatado têm pouca gordura, não fica bom).

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Sobre Verônica Mambrini

Cama, mesa, banho, foto, tela e texto.
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Uma resposta para Depurar devagarinho

  1. Eu estou babando nesse sorvete já tem um tempão! E olha que nem sou assim tão chegada em sorvete, mas esse eu vou fazer logo.

    Sobre as férias, como é fundamental ter um tempo de não fazer nada! Também estou sentindo agora como a qualidade da alimentação pode ser determinante na disposição da gente!

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