Diário de um queijo

Ele chegou formoso, pungente, denso. Parecia firme, mas bastava pouco para se derreter. Derretido, porém, mantinha uma certa resistência instigante. E mais: era farto.

O queijo foi presente de uma amiga linda e veio na mala de outra amiga linda. Um queijo coalho legítimo, sem títulos ou rótulos, como devem ser os verdadeiros nobres. Delicioso. Mas era mais de um quilo de queijo para duas pessoas. Se não se multiplicassem as pessoas, era dever do queijo se multiplicar. E ele o fez.

Dia 1 – simples (& nu): corta em fatias médias, leva à chapa para ganhar tons de castanho de cada lado e só.

Dia 2 – cartola (& fraque): joga um pouco de manteiga na frigideira, fatias de queijo, rodelas de banana, um pouco de açúcar e canela. Tampa para amolecer a banana, derreter o açúcar e dourar o queijo.

Dia 7 – salada (& verde e amarelo): enquanto o queijo vai em tiras à chapa, arruma num prato largo e raso as folhas de rúcula. Coloca o queijo entre as folhas e rega com um molho de mel e mostarda.

Dia 4 – geleia geral (& picante): cubinhos tostados, com geleia de pimenta (pode comprar pronta ou ganhar de alguém).

Dia 9 – tapioca (& em versinhos): passa a goma na peneira / camada fina na frigideira / o queijo caído pra um lado / dobra e vira com cuidado.

Dia 20 – o fim (& a saudade): uma hora o queijo acaba.

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5 respostas para Diário de um queijo

  1. Borboletas nos Olhos disse:

    Os cinco sentidos aguçados pelas belas provocações “quijísticas” e um sentir a mais: saudade.

  2. Cecilia disse:

    Grande privilégio conhecer a autora, a presenteadora e o queijo – todos da mais alta qualidade. Fiquei aqui pensando se tem alguma forma de organizar um fornecimento permanente, porque juro, a minha vida ficou um pouco menos saborosa quando meu queijo acabou. Só não tive tanta inspiração pra variar no cardápio, mas nem deu tempo. =D

  3. Borboletas nos Olhos disse:

    Cecília, acho que de seis em seis meses não é suficiente, né? Tem que ver isso aí, rs.

  4. Bárbara Lopes disse:

    Ceci, se a gente se revezar para fazer visitas nos intervalos das vindas da Lu, acho que conseguimos uma autossuficiência na importação de queijo – sem falar nos benefícios adicionais de risadas e varandas.

  5. Cecilia disse:

    Apoiado, meninas. Ponte aérea SP-Lu-varanda-queijo já!

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