Na Saúde e Na Doença

Tem gente dodói por aí, precisando de cuidado. E eu lembrei logo do colo dos meus pais. Mãe e pai, por aqui, sempre foram chegados a demonstrar carinho com gestos, entre eles cozinhar. Quando rola um “aiaiai” uma das receitas seguras é canja. Canja alimenta corpo e esquenta a alma além de ser bem, bem fácil de fazer. Faz assim: corta e limpa o frango (supondo que não é congelado), tempera com gengibre em pó e refoga com cebola sem deixar escurecer. Pode caprichar no azeite. Depois, água até cobrir, tempera com sal e despeja – picotadinhos: tomate, cheiro verde, cebolinha, manjericão…deixa cozinhar por mais ou menos hora e meia, até o frango ficar bem, bem molinho. Separa o caldo, coa e reserva. Desfia o frango bem fininho. Pega o caldo, coloca arroz e deixa cozinhar, quando o arroz estiver quase pronto, despeja o frango desfiado e deixa tudo se integrar e fazer a mágica da comidinha carinhosa.

Daí você pensa…e as visitas? Gente querida quando adoece é danado pra vir gente ver, dar força, papear. É simples, em uma panela joga 1 1/2 latas de leite condensado, deixa ferver/engrossar, retira do fogo, mistura com uma lata de creme de leite e despeja na tigela. Cobre com ovomaltine. Daí volta pro fogão, mais lata e 1/2 de leite condensado com quatro colheres de ovomaltine, deixa ferver/engrossar,  retira do fogo, mistura com uma lata de creme de leite, “rebola” em cima da outra mistura e cobre com ovomaltine. Coloca no congelador e é só esperar o povo chegar.

Desculpa aê a falta de encanto e enredo, mas tá todo mundo gritando por mim…é que vou fazer a salada e o peixinho dos Dias das Mães. Pra mim, também, cozinhar se tornou um jeito de dizer Eu Te Amo.

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Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
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2 respostas para Na Saúde e Na Doença

  1. annerodrigues disse:

    Oi Lu!
    Nem sei o que dizer, sempre recebo com muito carinho uma comidinha feita para mim. Essa canja recebi como um presente. Obrigada, viu?!
    Beijinhos

  2. Luciana disse:

    Baby, se fosse pessoalmente e a panela lançasse aqueles espirais de afeto feito cheirinho ainda ia ser melhor, né?

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