É de Manhã…

Esta semana não teve varanda, nem dancinha, nem forno e fogão na sexta. Teve estrada e alegria de conhecer minha sobrinha. Dez dias de desejo e antecipação, tudo resultando em um abraço cheirando a leite. Conhecê-la me deu uma pontada de saudade. De vontade? O corpo todo na ânsia de ser de novo um corpo de mãe recém-parida. A memória logo me trouxe em imagens de uma gestação tranquila; de um parto que foi, depois do sobressalto inicial, uma experiência de risos e os dias felizes de amamentar, arrulhar e sentir o peso morno do bebê junto a mim. Como uma coisa leva à outra e minhas lembranças são repletas de cheiros e sabores, lembrei das gostosuras da época da gravidez e amamentação.

IMAGEM VEIO DAQUI

Meu companheiro era um homem fantástico (traduzindo: era companheiro, continua fantástico). Durante toda a gestação (na verdade durante todo o tempo juntos) ele cuidava da minha alimentação. Eu sou louca por coca-cola, mas ter sempre dois ou três tipos de suco prontos na geladeira ajudava a lidar com a ausência dela. Cada manhã uma surpresa, cada jantar uma alegria (no almoço eu tinha que me virar com minha pouca inspiração e ainda mais restrito talento). Uma das coisas que aprendi com ele foi comer soja. Outra foi amar granola. E, aprendizado pra vida toda: temperar o meu cuscuz. É tão simples que faz até vergonha, mas é de milho, tem ferro e todas as outras desculpinhas pra justificar: eu amo!

Então, os passos são os seguintes:

1. Molha a massa de milho sem encharcar. Coloca sal a gosto.

2.Prepara os ingredientes de misturar à massa: pedaços pequenos de ovo cozido, queijo coalho, banana, tomate, cebola, cheiro verde (e qualquer outra gostosura que você quiser: presunto, mortadela ou, como eu, cogumelos).

3. Mistura tudo e coloca na cuscuzeira. Quando estiver quase pronto, pega uma colher de a) azeite, b) margarina, c) manteiga da terra (o/) e espalha por cima, deixa entranhar, desliga o fogo e come.

Outra maravilha para o café da manhã: chapéu de couro. Facinho também:

1 xícara de farinha de milho (vitamilho); 1 colher de sopa de farinha de trigo; 1 colher de açúcar; 1 pitada de sal; 1 pitada de fermento; 1 ovo; 1 colher de manteiga; 1/2 xícara de leite; cravo e queijo coalho ralado.

Mistura tudo bem misturado. Numa frigideira bem quente, untada com manteiga, vai assando como se fosse panqueca.

Escrevendo lembrei de outras coisinhas que animavam meu café da manhã: vitamina de mamão com maçã, banana e sorvete; tapioca recheada de carne de sol desfiada; salada de frutas com granola…

Anúncios

Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
Esse post foi publicado em Borboletas na Cozinha e marcado , . Guardar link permanente.

8 respostas para É de Manhã…

  1. Sara Joker disse:

    Ai, que delícia!!! Eu amo cuzcuz! Não conhecia chapéu de couro, mas fiquei com vontade de comer mesmo sem conhecer!
    E eu adoro tapioca, você falou me veio o sabor na boca…. tapioca com manteiga, aiai!

  2. O Nordeste tem um sabor peculiar, não é? Prometo tapioca quando você vier me visitar 😉

  3. annerodrigues disse:

    Não conhecia chapéu de couro deve ser bem gostoso. O cuscuz lembra minha infância, deu vontade.
    Engraçado como comida se liga à memória afetiva. Já fiquei feliz lembrando dos sábados da minha infancia comendo o cuscuz.
    Beijinhos

  4. Cecilia Santos disse:

    Lu querida, faz mais de ano que eu comprei uma cuzcuzeira, mas ainda não usei. Na família do meu pai o cuzcuz é o equivalente ao pãozinho aqui em SP, mas sempre comi só o básico mesmo, cozido com sal, com a manteiga depois de pronto, geralmente acompanhado de ovo e queijo coalho fritos.

    Pergunta: precisa forrar a cuscuzeira com um pano fino a envolver a massa de milho, ou pode botar lá direto?

    Outra pergunta: se eu fizer um cuzcuz e um café fresquinho, você vem comer aqui em casa?

  5. Anne,
    é muito bom. Só pra ter certeza fiz carinhapidona e minha mãe fez pra nós ontem \o/

  6. Não precisa forrar nem nada…bota a massa direto e voilá: uma delícia cheirando a milho. E sim, estou vendo as milhas pra chegar por aí batendo em sua porta. Bjs

  7. Cecilia disse:

    Olha o que é a tal da grobalization: tem massa de tapioca pra vender no Pão de Açúcar.

Os comentários estão encerrados.