Sonho de uma noite de…peraí, que mês é hoje??

Já entramos oficialmente na primavera? Não, o pai Google disse que faltam cinco dias ainda.

O final de inverno na pujante, próspera e progressista Bauru está quente, abafado, incômodo – assim como em boa parte do país, a julgar pelas reclamações que tenho lido nas redes sociais. Frio estão passando meus colegas em Gramado, em um congresso de bibliotecas universitárias; frio e chuva, pra ser mais exata. A chuva que estamos evocando aqui, que estamos tentando atrair com piscadelas, rezas, promessas de amor eterno, essa ingrata se mandou pro sul e foi comprar chope artesanal, casaco de lã, jaqueta de couro e se encher de chocolate quente e fondue.

Nessas condições não consigo pensar em comida, nem para comer e muito menos para fazer, a menos que o preparo não inclua forno ou chama de fogão acesa. Penso, saudosa, no pote de sorvete de limão que ficou lá no congelador do local de trabalho. Penso em chá gelado com limão, em frutas geladíssimas saindo da gaveta da geladeira. Penso em água. Em suco cheio de pedras de gelo. Em, pasme, café gelado – aquele que tem café, leite, sorvete de creme, tudo bem gelado e batido. Em salada de fruta.

No início da gravidez do Alê eu trabalhava em uma escola lá na periferia de São Carlos. Era servida merenda para os alunos da então quinta até a oitava série e uma vez fizeram salada de frutas. Lembro com muito amor no coração (e no estômago, claro) das merendeiras que separaram uma canequinha daquela salada geladinha com groselha e mandaram me levar, porque, oras, eu estava grávida e não podia ficar com vontade. Nunca dei bola pra groselha em salada de frutas, mas nenhuma outra foi gostosa como aquela.

Tem receita? Não tem. As frutas que estiverem dando sopa na geladeira ou na fruteira, tudo muito bem lavadinho e picadinho e misturado. Quem gosta pode adicionar suco de laranja, quem gosta inclui groselha; há quem prefira misturar leite condensado ou creme de leite na hora de servir. Eu pensei, sinceramente, naquele sorvete de limão que está passando o final de semana solitário na biblioteca fechada, naquela copa escura, pobrezinho. Pensei na textura das frutas todas, individualmente e em conjunto, sonhei até com cerejas picadas ali no meio, ou moranguinhos – ainda estão doces nos muitos caminhõezinhos estacionados pela cidade.

Vai ser um longo verão de vários meses. Haja salada de fruta.

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O fim de um hiato e o relato de uma mudança

Então me permiti um hiato (ou me deixei vencer pela falta de inspiração, como queiram) e fiquei alguns dias sem aparecer por aqui. Nesse meio tempo nada de muito espetacular aconteceu, a não ser uma mudancinha de rotina em relação à nossa alimentação usual.

A primeira coisa foi que decidi, nas férias de julho, que pararia de comer carne durante a semana – já comia pouca, achei que valia a pena reduzir mais ainda a quantidade e aprender ficar mais tempo sem ela. A segunda foi fazer o possível para vencer minha implicância com farinhas e grãos integrais e tentar substituir arroz branco, farinha branca e açúcar refinado ao máximo. “Muito bem, parabéns pela iniciativa”, pensei comigo mesma.

Voltei ao trabalho e a novidade foi que nossa cantina fechou, então eu estava oficialmente obrigada a trazer comida de casa para lanche e janta ou então a ir todo santo dia à padaria mais próxima, razoavelmente cara e cheia de tentações. Decidi então a via mais fácil e mais barata: separar uma porção do almoço, incluir mais frutas no pacote e me virar assim.

Comecei a colocar os planos todos em prática, levando em consideração que tenho em casa uma criança pequena em casa que come pouca carne, mais come; lembrando que eu não sou grande consumidora de ovos (ieca, não gosto de ovo. Omelete não funciona pra mim como alimento e consequentemente como fonte de proteína) e que preciso, sem dúvida, incluir proteína na dieta, inclusive porque corro e nado bastante durante a semana. Ah sim, os alimentos precisam ser de fácil preparo, porque sou eu quem cozinho e faço limpeza de casa, então uma da tarde é bem desejável que estejamos todos de dentes escovados, vestidos, juntando lancheira, marmita, mochilas (de escola pra ele e de treino pra mim)  para estarmos cada um em seu destino dentro de meia hora.

Como ficou: toda segunda-feira passo pelo mercado e reponho grãos, procurando sempre variar (quinoa, grão de bico, lentilha, etc), arroz integral/sete grãos, compro as frutas, legumes e verduras, laticínios para os dias seguintes – faço uma compra para durar uma semana, em suma. Mas aí uma vez a cada quinze dias vem uma entrega de orgânicos aqui em casa, então eu vejo aquilo que já encomendei na segunda cedo e à tarde não trago esses itens, claro.

Cozinho praticamente todos os dias de segunda a sexta, e obrigatoriamente temos um arroz – com ou sem vegetais, conforme o espírito, a vontade ou a necessidade em dar fim a alguma coisa (um restinho de abobrinha, por exemplo, um finalzinho de espinafre, e por aí vai -, nem todos os dias tem feijão, mas sempre temos ao menos uma opção de salada (de preferência duas, uma delas sendo de folhas) e ao menos dois pratos envolvendo legumes ou verduras quentes. Também há uma carne ou alguma preparação com ovo, que eu não como mas que é sucesso garantido com o pequenino.

Outra questão importante: o planejamento do almoço leva obrigatoriamente em conta o fato de que precisamos jantar, então é fundamental sobrar. Se não sobra para o dia seguinte, sem problemas; se sobra o restinho vai para um potinho e reaparece à mesa, sem maiores crises.

O que tenho a dizer nesse post sem receita é que não há mesmo um como-fazer quando a gente decide fazer quaisquer modificações na rotina alimentar da casa. Claro que é muito mais simples se não formos nós a cozinhar, nada se compara à facilidade de chegar e encontrar a mesa posta e as panelas e travessas preenchidas sem que seja preciso planejar e preparar qualquer coisa. Mas é interessante ver como a adaptação vai acontecendo e em breve o que é estranho se torna corriqueiro e quase automático.

Posso propor desafio da semana? Então fica aqui a pergunta: o que você já mudou na sua rotina de alimentação, de consumo e preparo? Como foi?

Boa semana!

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Bolinhos

Comida feita pelos outros tem um sabor tão gostoso, diria inusitado. Sempre fico pensando “Nossa, que legal, eu teria feito de tal jeito, mas desse ficou tão bom!”. O mesmo eu penso quando leio blogs de culinária. Tem muita gente fazendo coisa tão linda e apetitosa.

Um blog que sempre me inspira é o Technicolor Kitchen, da Patricia Scarpin, que tem uns doces maravilhosos e umas fotos mais lindas ainda. Fico olhando aquilo tudo e parece tão fácil fazer bolinhos ou docinhos.

A questão é que eu tenho imensa dificuldade em cozinhar doces. Ano passado tentei fazer um bolo de aniversário para minha irmã. Olha, fiz alguma coisa muito errado, não deu nada certo. O que era para ser um bolo recheado com creme de confeiteiro, virou um pavê de morango. Decepção total.

Esse ano fiz cupcakes de paçoca. Receita da Cecília, aqui, que deram super certo e ficaram saborosíssimos. Sem decepção ou tristeza. Recomendo, ficam com gostinho de festa junina.

É sempre uma delícia ler e comer as comidas feitas por outras pessoas.

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Comida feita pelos outros é mais gostosa?

Seria esta uma das grandes questões que movem o ser humano, talvez? Ou seria apenas mais uma das perguntas que passam pela cabeça de quem pilota fogão em dias de enfado e de pouca inspiração?

Já escutei algumas explicações, todas elas de cunho prático: dentro da cozinha os cheiros se misturam e então as sutilezas passam um pouco desapercebidas, ou então a sensibilidade alheia e o paladar são outros, daí a diferença e a novidade aguçam o interesse. Faz sentido. Claro, há casos em que a comida alheia funciona como estímulo para quem cozinha voltar e fazer melhor, fazer mais – vamos ser claros aqui, quando a comida feita alhures é ruim, desagrada. Há casos em que o comensal é o tipo enjoado e sistemático, e então vai se ressentir de qualquer forma da falta do preparo que lhe é familiar.

Aventuro-me por cozinhas alheias com gosto, ainda que seja para comer com os olhos. Uma das minhas preferidas é a da Neide Rigo, nutricionista, culinarista e pesquisadora dos modos de comer, multiplicadora de conhecimentos.

Costumo me maravilhar, em primeiro lugar, com a simplicidade que exalam seus relatos e das suas ideias a respeito de comida – ela valoriza ingredientes locais, a variedade de possibilidades de preparo, o aproveitamento máximo dos alimentos, aquilo que não se come na cidade grande repleta de produtos industrializados e de modismos. O que ela prepara tem cores bonitas, alimenta os olhos e nutre o corpo, fertiliza a mente.

Gosto especialmente da série de postagens que ela chama de “Quintas sem trigo”, em que ela apresenta dicas interessantes de cozinhar sem a onipresença da farinha de trigo refinada, tão branquinha, tão uniforme, tão pouco interessante: mandioca, banana, arroz, fubá, tapioca… Também me encantam seus relatos de viagem dentro e fora do país, construindo com famílias conhecimentos sobre alimentação – são relatos de mútuo empoderamento, porque alimentar pessoas é poder, é criar e manter vida em condições de seguir adiante e prosperar (ei, não estou falando aqui simplesmente de fazer dinheiro não, viu?). Neide também tem falado sobre um projetinho que surgiu entre um grupo de amigos que participa de um piquenique periodicamente: identificar e recuperar mudas de árvores, sobretudo frutíferas, que estejam pela vizinhança em situação de risco e possam ser transferidas, replantadas, salvas. É interessantíssima a participação das crianças, numa época em que a molecada está mais habituada a nomear os super-herois que aparecem nas embalagens de salgadinhos industrializados do que a reconhecer pimentões, pêssegos, batatas-doces, milho em espiga, vagens (Jamie Oliver fez uma palestra bem interessante no TED sobre alimentação e crianças: Teach every child about food. Aqui tem a versão legendada do vídeo).

Então é essa minha receita da semana: dar um passeio em cozinhas diferentes, com outros cheiros, outras ideias, outras cores. Divirtam-se, saboreiem.

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Branco total

E quando bate aquele branco, quando o teclado fica ali parado e você não sabe como tirar algum sonzinho dele, a caixa de texto fica intocada? Quando acontece aquela alegre revoada de ideias em que você se perde dentre todas as alternativas, todas as possibilidades, é muito mais simples porque está tudo ali, é só escolher alguma coisa e no fim das contas dá certo. Às vezes o que falta é só a coragem de começar mesmo, porque depois as palavras se encadeiam e é só refinar e polir o que tiver saído.

Pois hoje o branco me bateu também na cozinha. Amanhã voltamos à rotina depois de um mês praticamente, os horários tornam a seguir o planejamento principal. É bom isso, não reclamo não. Estamos todos nos ressentindo da falta do arroz-com-feijão real e do metafórico, da vida em andamento normal, da disciplina, das atividades um pouco mais regradas. Mas aí me bateu o branco total neste domingo semi-preguiçoso e chato (como todos os domingos, convenhamos) e já decretei que ele é sintoma da ansiedade pela volta à normalidade (eu bem que tento entender por que as pessoas demonizam tanto a rotina, o dia-a-dia. Eu fico perdida quando passo muito tempo em regime alternativo) e do enfado típico do dia.

Como combater esse branco, expresso inclusive na falta absoluta de vontade de comer? Do jeito mais simples e mais agradável possível. Então criei coragem, levantei e fui lavar duas bandejinhas de morango que comprei ontem (esses dias atrás me lembrei dos morangos em caixinhas de madeira, vocês são dessa época ou já são da era das bandejas de plástico envoltas em plástico-filme? A gente tende a achar que eram mais doces aqueles, não?) e separei ingredientes para uma sopinha prosaica com abóbora, mandioquinha e espinafre. Como eu disse, às vezes o problema é só o impulso para o começo.

Você já viu essa receita antes e não é à toa que ela se repete hoje: há que se ter conforto pra esperar o domingo passar, o domingo acabar. Amanhã é dia novo, é dia bom.

Boa semana!

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Para celebrar.

Para mim celebração significa reunir pessoas que amo. E comemorar tem tudo a ver com comer né?
Me lembro das primeiras festinhas quando me dei conta que era gente… A minha comida preferida era a torta de liquidificador da Tia Odilia…



Tinha vários sabores mas nada batia a de sardinha.
Demorei até aprender a fazer a tal torta, ou embatumava e ficava fininha, ou crescia demais e derramava da forma. Mas achei o ponto certo e minha receita é esta aqui :
Coloque no liquidificador:
1 xícara e meia de leite
3 ovos
Um pouco menos de meia xícara de óleo
3 colheres de queijo ralado bem fininho ( cuidado com o sal)
sal a gosto ( lembre-se do sal do queijo)
13 colheres de farinha de trigo
1 colher de fermento ( é melhor misturar a massa depois que bater)

O recheio é o que você quiser…

Pode ser sardinha (o meu predileto), salsicha, presunto e queijo, frango desfiado, carne moída  e para os vegetarianos: tomate e orégano , abobrinha ralada, berinjela…

Faça várias e convide os amigos. Vale a pena celebrar a amizade!

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O agradável sabor da celebração!

Celebrar vitórias, conquistas! Eis uma coisa maravilhosa da vida!

Geralmente quando comemoro algo com os amigos e/ou com a família a mesa fica farta!Se não é o tradicional churrasco é o almoço de domingo!

Uma das coisas particularmente simples que a minha mãe fazia e eu adorava nas épocas festivas era o espaguete à bolonhesa que ela fazia. Era bem simples de fazer!

Macarrão gostoso!

Delícia! By Sebastian Mary

Primeiro você pega tomates bem maduros, uns 5 ou 6, bate no liquidificador com água suficiente para o molho não ficar muito ralo. Depois coa-se para retirar as sementes e reserve. Pique uma cebola e um dente de alho e depois refogue, primeiro a cebola e depois o alho pra não queimar. Quando a carne estiver coradinha, ou seja,selada, acrescente o molho e leve ao fogo baixo. É uma surpestição de família: parece que o molho fica melhor apurando no fogo baixo.

Quando você perceber que o molho está  quase na consistência desejada (e isto pode variar: tem gente que gosta mais ralo, outros já preferem bem encorpado), coloque o bicarbonato de sódio para tirar a acidez, o sal, manjericão e manjerona. Se preferir, ao invés do manjericão e da manjerona acrescente orégano.

Depois do molho pronto vamos ao macarrão!Com a água fervendo deixe cozinhar o espaguete por 5 minutinhos só pra não ficar muito mole. Escorra, acrescente o molho e voilá!Um macarrão à bolonhesa saboroso pra celebrar a vida!

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